Escola de autores é um site da Comunicar,  Revista Científica de Educação e Comunicação, indexada nas principais bases de dados internacionais, que complementa seus blogues ativos em espanhol, português e inglês. Desenhado e escrito principalmente pelo Conselho de Editores da Comunicar, esta Escola de Autores pretende oferecer recursos para a publicação de artigos em revistas científicas de uma forma planejada e estratégica, assim como servir como espaço de reflexão sobre a gestão da informação científica para contribuir em publicações de primeiro nível.

 

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Os processos de seleção académica do manuscrito por uma revista científica

Tradução: Lola Lerma Sanchis (Univ. Minho, Portugal)

As revistas científicas, com padrões internacionais e prestígio editorial, são muito rigorosas e transparentes nos processos de seleção de manuscritos, acusando a receção dos trabalhos enviados pelos autores e informando por mail e/ou na plataforma de gestão sobre todo o processo de aceitação/rejeição, e em caso de aceitação do processo de edição.

selection-01As páginas oficiais contêm as normas completas da publicação, além dos instrumentos complementares como a verificação prévia ao envio do manuscrito, os documentos de envio (se aplicável, carta de apresentação e folha de rosto para completar), o guia para a gestão do fluxo no OJS (plataforma), e inclusive publicam os protocolos de avaliação para revisores externos, a fim de que os autores conheçam o que vai ser avaliado.

Uma vez submetido o trabalho, as revistas de qualidade têm os tempos de todo o processo publicados, comprometendo-se explicitamente com o seu cumprimento. Por exemplo, em “Comunicar” é recebida a notificação da aceitação ou rejeição do trabalho no prazo máximo de 30 dias. Caso o manuscrito apresente deficiências formais, ou não esteja incluído no foco temático da publicação, o Conselho Editorial rejeita formalmente ou tematicamente o trabalho, em muitos casos sem opção de retorno. Ao contrário, se apresentar deficiências formais superficiais, será devolvido ao autor para correção antes do início do processo de avaliação. Nesta fase prévia, é muito importante que o manuscrito seja autoverificado antes de ser enviado.

selection-02Em revistas muito conceituadas, os manuscritos são sempre avaliados com muito rigor, uma vez que a revisão científica é o cerne da qualidade (é valorizada a pesquisa, não o pesquisador). Em “Comunicar” este processo pode ser submetido a 10-15 especialistas em média, de forma anónima. Os seus relatórios externos são fundamentais para a aceitação/rejeição do trabalho, bem como se procede modificá-lo em termos de extensão, estrutura ou estilo, respeitando o conteúdo do original.

O protocolo seguido pelos revisores da revista deve ser sempre público para todos, especialmente para os autores. O prazo de avaliação científica do trabalho também deve ser publicado, e nunca deve ser um tempo máximo superior à periodicidade da revista. Por exemplo, em “Comunicar” o tempo médio para revisão científica é de 50 dias e para a aceitação final de 50 dias (ou seja, um total de 100 dias).

Todos os autores devem receber, em nome da transparência do processo, os relatórios de avaliação científica de forma anónima, para que possam fazer as melhoras ou as réplicas adequadas, se for o caso.

Igualmente, os autores dos artigos aceites devem solicitar, antes da edição final, as provas de impressão para sua correção orto-tipográfica.

As revistas de prestígio internacional também optam por ter uma versão final em inglês, a fim de garantir a sua consulta e divulgação. O texto traduzido deve ter qualidade profissional. Da mesma forma, é muito comum neste tipo de publicações que os artigos estejam previamente disponíveis com o DOI numa secção de Preprints (artigos na imprensa) no site oficial da revista.

Em revistas de prestígio internacional, como em “Comunicar”, os critérios que justificam a decisão sobre a aceitação/rejeição dos trabalhos por parte do Conselho Editorial são os seguintes:

  1. Atualidade e novidade.
  2. Relevância e significado: avanço do conhecimento científico.
  3. Originalidade.
  4. Fiabilidade e validade científica: qualidade metodológica contrastada.
  5. Organização (coerência lógica e apresentação formal).
  6. Apoio externo e financiamento público/privado.
  7. Coautorias e grau de internacionalização da proposta e da equipa.
  8. Apresentação: boa escrita.

Finalmente, é muito comum neste tipo de publicações que uma vez publicados os seus manuscritos, após um árduo processo de seleção e altos índices de rejeição, os autores se tornem membros do Conselho Internacional de Revisores Científicos, a fim de preservar o processo de revisão cega que é atualmente a melhor garantia da qualidade de uma revista internacional.

Autor do post em espanhol: Ignacio Aguaded

Aceda ao post original AQUI.

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Sobre como publicar um bom artigo e não morrer na tentativa

Tradução: Ana Montero*

Escrever um artigo científico supõe um esforço importante para um pesquisador e acadêmico, por isso é essencial assumir uma visão holística do processo para ter garantias de sucesso e conseguir publicá-lo na revista de referência na área de pesquisa do autor.

ana1O processo de publicação começa antes de começar a escrever, pois é necessário realizar um processo de análise e reflexão sobre o tema que está sendo estudado. Neste momento é fundamental a leitura para ter um conhecimento minucioso e detalhado do estado da arte, ou seja, o autor precisa ter um mapa preciso do que foi publicado antes a sua contribuição, quais são os temas relevantes,quais foram os avanços nos últimos anos, o que aportam os últimos trabalhos publicados na área do conhecimento, quem está trabalhando no mesmo assunto, como desenvolvem suas contribuições e a que conclusões chegaram etc. A partir das referências coletadas é possível projetar e propor qual será o valor do nosso artigo, medindo com precisão o que vai aportar de novo ao estado da questão.

Se durante esse processo forem feitas consultas bibliográficas relevantes, será possível enriquecer esse mapa com uma série de periódicos científicos referentes, entre os quais se selecionará a revista à qual o artigo será submetido, prestando especial atenção à normativa para autores.

ana2O próximo passo é a escrita do manuscrito. Em publicações anteriores da Escola de Autores já se fez referências às etapas a serem seguidas na redação de um artigo científico, em sua estrutura, independentemente de sua tipologia: revisão de literatura, artigo de pesquisa, relatório de pesquisa, estudo ou proposta, um artigo descrevendo uma metodologia ou um método novo. Nesse sentido, todos os artigos exigem um título de impacto, claro e conciso; um resumo e palavras-chave que destacam o mais relevante do conteúdo e ajudam o leitor a saber o que encontrará no texto; uma introdução ou fundamentação teórica em consonância com o objetivo ou intenção do artigo, que demonstre um profundo conhecimento do tema e do estado do arte; materiais e métodos que demonstrem rigor científico inquestionável; resultados que delimitem e valorizem as contribuições desse novo trabalho; discussão e conclusões.

Antes de enviar o artigo para a revista, lembramos da necessidade de ler cuidadosamente a normativa, as instruções sobre o processo de envio e prestar atenção ao processo de “check-list“. Ao mesmo tempo, e tentando não morrer nesse processo trabalhoso, insistimos na conveniência de solicitar a leitura de um colega, os chamados “pares amigos“, que nos fornecerão uma leitura crítica e compreensiva do artigo.

ana3Por fim, e não menos importante, se o autor pretende que seu artigo seja considerado “um bom artigo”, é obrigatório contribuir para a divulgação do artigo, desde a publicação da “pré-print”. Compartilhar o artigo publicado com outros autores é a essência da transferência do conhecimento para a sociedade, para a qual o autor tem à sua disposição redes sociais, científicas e comuns, portais especializados em conteúdo científico, rede de contatos de especialistas sobre o tema, portais institucionais de universidades, bibliotecas ou centros de pesquisa. Esse processo de divulgação para alcançar o maior impacto científico do artigo é justamente que traz um valor substancial ao trabalho árduo de obter um bom artigo publicado sem morrer na tentativa. É o compromisso de cada pesquisador, de cada autor, com sua carreira profissional e com suas linhas de pesquisa, compartilhando seus artigos com a comunidade.

Autora: Rosa García Ruiz –  Link para o texto original em espanhol  AQUI.

 

Ana Montero*

Ana Carine García Montero (Universidade de Huelva/Espanha). Doutora em Comunicação (Educomunicação & Media Literacy); Mestra em Educação (Universidade Federal de Santa Catarina); Master em Comunicação e Educação Audiovisual (Universidade de Andaluzia); Especialista em Marketing e em Jornalismo (UFSC). Jornalista (UFSC). Colaboradora na Equipe de tradução espanhol-português da Escola de Autores da Revista Comunicar.

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Estrutura de um trabalho de pesquisa: conselhos para melhorar seu artigo

Autor: Ignacio Aguaded– Tradução: Julieti-Sussi de Oliveira

Enviar um trabalho a uma revista não requer somente contar com uma pesquisa original, inovadora com contribuições relevantes, senão que deve-se cuidar o formato e a estrutura do artigo, porque as questões formais, o tema escolhido, a metodologia e as referências formam um todo que justificam os motivos de aceitação/rejeição, em primeiro lugar, e depois de aceito/rejeitado em uma publicação de qualidade.  Não ter cuidado especial com o formato de um trabalho é uma evidencia  de um pesquisador pouco rigoroso, que não sabe cuidar os processos formais que para uma publicação de alto impacto são essências para a normalização dos seus fluxos de avaliação.

estruturaDe modo geral, em toda revista de reconhecimento internacional, deve-se enviar simultaneamente dois arquivos: apresentação e capa e artigo.

1. Na APRESENTAÇÃO E CAPA (Title Page y Cover Leter) consta o caráter original da contribuição e cedem-se total o parcialmente os direitos da publicação, ademais de definir-se autores, fontes de financiamento … Este documento é fundamental na identificação do trabalho e não é visível para os revisores.

2. No ARTIGO, a primeira seção METADATOS, é especialmente importante. Um trabalho, as vezes, cria motivos suficientes para ser recusado simplesmente pelo próprio título:

2.1 O Título do artigo deve ser claro e objetivo, com o máximo número de termos significativos possíveis.

2.2 No que diz respeito aos AUTORES (coletado no Cover Leter), deve-se ter presente que o número deve estar justificado pelo tema, sua complexidade e extensão, justificando a contribuição original da equipe. A assinatura acadêmica (nome científico) deve estar padronizada segundo as convenções internacionais para facilitar a identificação nas principais bases de dados (https://bit.ly/2Dhk7Xu). É recomendável inscrever-se no Registro Internacional de Investigadores: ORCID (http://orcid.org).

2.3. O RESUMO/ABSTRACT em português e inglês deve ter aproximadamente 230 palavras, para poder descrever de forma clara o motivo e o objetivo da pesquisa, a metodologia usada, os resultados mais destacados e as principais conclusões. Não aceita-se o uso de tradutores automáticos devido a sua péssima qualidade.

2.4. AS PALAVRAS CHAVE / KEYWORDS devem basear-se em um Thesaurus, com os termos simples mais usados na temática, por exemplo, o da UNESCO. Só em casos excepcionais se aceitam termos novos.

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3. É muito importante que no CORPO DO TRABALHO, os manuscritos respeitem rigorosamente a estrutura da revista:

  1. INTRODUÇÃO e ESTADO DA QUESTÃO. Deve incluir os fundamentos e o propósito do estudo, usando referências bibliográficas, assim como a revisão da literatura mais significativa e reconhecida do tema a nível nacional e internacional. O vaciado em JCR e Scopus para publicar em revistas desse nível é muito significante.
  2. MATERIAL E MÉTODOS. É necessário descrever a amostra e as estratégias usadas para selecionar a amostra, assim como o tipo de análise estatístico usado. Ao tratar-se de uma metodologia original, é necessário expor as razões pelas quais essa metodologia foi escolhida, assim como descrever as possíveis limitações da mesma.
  3. ANÁLISE E RESULTADOS. É necessário descrever as observações relevantes, sem fazer juízo de valor, destacar o material e o método usado, assim como os resultados mais importantes da investigação. Os resultados devem ser colocados em figuras ou tabelas em uma sequência lógica dentro do texto, evitando a repetição de dados.
  4. DISCUSSÕES E CONCLUSÕES. Se reúnem os descobrimentos, destacando as contribuições e as limitações, sem repetir os dados já comentados. Deve-se indicar as implicações e as limitações, inclusos as possíveis futuraslinhas de pesquisa, assim como conectar as conclusões com os objetivos do estudo, evitando afirmações gratuitas e conclusões não apoiadas totalmente pelos dados do trabalho.
  5. NOTAS. Consideram-se excepcionais e sempre irão ao final do artigo (antes das referências). As referências bibliográfica simples (sem comentários), devem ir nas Referências.
  6. APOIOS. O Council Science Editors recomenda aos autores especificar a fonte do financiamento da pesquisa. Nas revistas de alto impacto tem prioridade os trabalhos com o aval de projetos competitivos nacionais e internacionais. De todos modos, para a valoração cientifica do artigo, o mesmo deve ser anônimo para a sua avaliação inicial, com o objetivo de não identificar autores e equipes de pesquisa, que devem estar explícitos na Carta de Apresentação e depois no artigo final.
  7. REFERENCIAS. As citações bibliográficas devem estar elaboradas em forma de referências aos textos. Não deve-se incluir bibliografia que não esteja referenciada no texto. Seu número deve ser suficiente e necessário para contextualizar o marco teórico, a metodologia usada e os resultados da pesquisa em um espaço de pesquisa internacional. Apresentam-se em ordem alfabético pelo primeiro sobrenome do autor (usando o segundo somente se o primeiro for de uso comum e unido com uma – ) . As referências devem ser extraídas de documentos originais – de preferência em revistas e em menor medida em livros – indicando a página inicial e final do estudo de procedência,

    menos em caso de ser uma obra completa. Devido à importância para os índices de referências e os cálculos dos fatores de impacto, valora-se a referência correta de acordo com a Norma APA 7.0 (http://bit.ly/2JkuWs8), valora-se a presencia de referências nacionais e também internacionais de revistas com bom posicionamento (JCR /Scopus).

    estrcutura-038. IDEIAS-CHAVE/ HIGHTLIGHTS. Em algumas revistas, como “Comunicar”, recomenda-se incluir ao final do trabalho dois ou três parágrafos onde se resumem as ideias mais originais, importantes e inovadoras do trabalho, destacando suas principais contribuições. Pode ser um parágrafo novo ou texto literal retirado do próprio artigo (não do resumo).                    Por fim, cuidar da qualidade da estrutura do artigo, é sinônimo de uma pesquisa de qualidade. O contrário é oferecer motivos para recusar um trabalho que infelizmente na sua apresentação não reflete a originalidade da pesquisa que o sustenta.

Post original em espanhol

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Escrever um bom trabalho de investigação: erros a evitar.

Autor: Rafael Repiso – Tradução: Lola Lerma Sanchis

No início era o nome, tudo começa com um nome que conforme avança o tempo vai ganhando sentido e no fim, só ficará isso, um nome gravado em mármore ou metal, diamantes e ferrugem. Há muitos elementos de identificação num artigo, mas nenhum tão fundamental como o título. O autor não se deve precipitar no momento de escolher o título do trabalho e inclusive se o fizer mal é muito habitual que os revisores o corrijam.

Os objetivos do título são:

  • Descrever o conteúdo do artigo de forma específica, clara, exata, breve e concisa.
  • Permitir ao leitor identificar o conteúdo do trabalho facilmente
  • Ajudar os gestores de informação (documentalistas, bibliotecários, etc.) a catalogar e classificar o material com precisão.
  • Atrair o leitor.

O título, tal como o resto das secções de identificação (resumo, palavras-chave, DOI, etc.), deve compor-se uma vez que o trabalho está completo. Prevalece a capacidade de explicar o conteúdo sobre a concisão do mesmo, e, no entanto, um título deve ser breve.

O principal erro de um título é que esteja desligado da realidade do estudo que representa, que se indique que se fez algo que realmente não se conseguiu. Que o leitor acabe de ler uma obra e fique defraudado porque o prometido não foi cumprido. Manuel Alejandro Bobenrieth classificava os erros nos títulos em três categorias; clareza, concisão e sobre-explicação (que de certa forma é um erro de concisão).

  1. Erros de clareza: sintaxe correta e vocabulário ao alcance dos leitores
  • Usar palavras ambíguas, vagas.
  • Usar gíria, jargão.
  • Usar abreviaturas e siglas

2. Erros de concisão: brevidade na forma de exprimir conceitos, ou seja, o efeito de exprimi-los com precisão e com o mínimo de palavras possíveis.

Demasiado extenso (mais de 15 palavras).

Demasiado breve (títulos telegráficos e não específicos).

Excesso de preposições e artigos.

Uso desnecessário de subtítulos

3. Erros de sobre-explicação: afirmação ou exposição repetitiva e inútil de um conceito, que é tomado como garantido. Exemplos:

“Estudo” sobre… Investigação” a respeito de…  … “Relatório” sobre…

“Contributo” para… “Resultados de um estudo” sobre…

“Análise dos resultados” de…

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Existe estilo de escrita da revista selecionada?

Tradução – Ivonete da Silva Isidoro (EOI Galícia)

Enfrentar o desafio de publicar um artigo científico requer o conhecimento dos aspectos relativos à sua apresentação formal, dado que ser autor de um texto pede também o domínio das técnicas que facilitam sua leitura e compreensão. Como afirmam Griffies, Perrie & Hull (Elements of Style for Writing Scientific Journal Articles), nem todos os pesquisadores têm formação sobre o estilo de escrita adequado para artigos científicos, apesar da sua relevância acadêmica em todos os âmbitos de estudo. Portanto, conhecer os elementos de estilo na escrita de um artigo acadêmico é essencial, pois, por mais brilhante que seja o pesquisador, não conectar adequadamente com a sua comunidade acadêmica através das suas publicações pode comprometer o seu impacto e visibilidade.

Embora cada revista tenha uma normativa específica –que convém ler atentamente antes de enviar o manuscrito (Normas, normas, normas)–, não existe exatamente um estilo de escrita explícito da revista selecionada. Não obstante, o certo é que há um estilo de escrita esperado, implícito e tácito, quando se envia um artículo científico-acadêmico.

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O estilo de escrita acadêmico é um estilo peculiar que, embora se deva reger por uma máxima de clareza (Escrever para ser lido, 6 dicas imprescindíveis), impõe ter em conta cinco recomendações:

  1. A linguagem é fundamental: como veículo de comunicação, deve ser cuidada meticulosamente; nunca pode ser pobre, em qualidade semântica e sintática, além de estar sempre correta no que a gramática se refere. Recordemos que as revistas não corrigem a linguagem, que é de absoluta responsabilidade dos autores.
  2. A aplicação das normas básicas da escrita científica: a linguagem utilizada deve ser adequada—concisa—clara—objetiva, sem dar lugar a discrepâncias nos tempos verbais, erros gramaticais, orações mal construídas ou parágrafos desconexos.  
  3. Devem-se evitar os erros mais comuns: como as inconsistências linguísticas que dão margem a confusões, a excessiva justaposição, as expressões que marcam cronologicamente os resultados, os adjetivos que qualificam desnecessariamente o que expomos ou os verbos que expressam nossas crenças, sentimentos ou percepções.
  4. Ter sempre presente o potencial leitor: trata-se de se esforçar ao máximo na hora de redigir, não só tendo em conta os aspectos anteriores, mas também assumindo que quem se aproxima do texto quer compreender todo o seu conteúdo. Neste sentido, há dois momentos que marcam a leitura de um artigo: 1) O princípio da leitura: momento em que o leitor precisa de uma ideia inicial do que vai ler, quando são essenciais o resumo e a introdução do trabalho. 2) Final da leitura: momento em que o leitor tenta sintetizar o que acabou de ler, refletindo sobre o seu contributo, por que é significativo e que linhas abre.
  5. Reforço do texto com referências e figuras apropriadas, que ampliem que foi exposto, atraentes, inteligentes, próximas do que foi argumentado, enriquecedoras e esclarecedoras. Se não for assim, cansam o leitor, distraem-no da sua leitura e reduzem a sua motivação, gerando confusão e abandono do esforço compreensivo.

Em conclusão, embora o estilo de escrita não seja algo expresso, estipulado e previamente negociado, supõe realmente um aspecto fundamental, esperado, implícito e tácito, que nenhum autor deve negligenciar, em prol do seu bom nome como acadêmico.

Autora: – Texto original em espanhol

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Por que e para que devemos publicar

Autor –   – Tradução: Julieti-Sussi Oliveira

por-que publicarEm muitas ocasiões, durante os encontros de formação em pesquisa que estamos realizando, nos surpreendemos ao conhecer que alguns dos alunos, professores universitários, que incluso havendo lido há alguns anos suas teses doutorais, não publicaram nenhum artigo sobre a pesquisa que realizam na mesma.  Ainda que esse tema em outros contextos não é algo comum em nosso entorno ocorre com muita frequência, por esse motivo, foi necessário regularizar a necessidade de publicar um ou mais artigos para poder ler a tese doutoral e conseguir o grau de doutor (mudando alguns dos requisitos, que seja uma pesquisa inédita, da qual não se publicou nada que se considerou anteriormente).

Quando realizamos uma pesquisa e não publicamos nada sobre ela estamos cometendo diversos erros contra nós mesmos, nossa universidade e a comunidade científica em geral.

É de conhecimento comum que o progresso acadêmico de um pesquisador está ligado diretamente com o número de artigos que publica e a qualidade científica dos mesmos.  Se o que você procura é avançar na sua carreira acadêmica e universitária, deverá publicar em revistas científicas de qualidade e alto impacto (principalmente naquelas que encontram-se indexadas nas bases de dados mais importantes: WOS -con JCR e ESCI- e SCOPUS)para que as agências de avaliação do seu país lhe credenciem nas diferentes categorias universitárias.

Não somente você pode ter benefícios com a publicação (ou prejudicar-se com a não publicação) dos artigos grande parte dos fundos que garantem o orçamento das universidades são concedidos pelas diferentes instâncias administrativas e de pesquisa, tendo como base o número e a qualidade de artigos que os seus professores pesquisadores publicam em revistas de impacto, de esse modo, se você quer colaborar com a entidade para que trabalha procura publicar as suas investigações em revistas indexadas.

Uma pesquisa que não chega a ser publicada, nega a comunidade científica a contribuição e os avanços que poderia significar. Se você foi beneficiário de uma ajuda financeira para um projeto de pesquisa possivelmente seja, entre outros motivos, porque está fundamentado na construção de um estado da questão gerado a partir de uma boa revisão bibliográfica. A elaboração de esse marco teórico foi possível devido a que anteriormente outros investigadores da mesma área, cumpriram com o seu dever de compartir e fazer públicos os resultados das suas pesquisas, assim que é justo que agora você faça o mesmo e “devolva” parte do que recebeu de modo que as contribuições colaborem com a construção da ciência em geral, e particularmente aos futuros pesquisadores da sua área.

Em esse sentido, também as suas publicações podem servir para melhorar a posição da sua universidade nos rankings internacionais que as comparam, já que a maioria considera como um indicador muito importante, as publicações dos professores de uma universidade (em quantidade e em qualidade) nas revistas de científicas de impacto.

Finalmente, por todas as razões destacadas, é preciso que os professores publiquem os resultados de suas pesquisas em revistas de alto impacto. O simples fato de publicar não traz, em nossa opinião, nenhuma desvantagem ao contrário, somente traduz-se em vantagens, para o pesquisador, o centro de ensino e a comunidade científica da que forma parte.

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5 chaves para melhorar sua redação científica: a importância da pontuação

Tradução: Ivonete da Silva Isidoro (EOI Galícia)

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Uma das principais dificuldades na hora de redigir um artigo científico é adaptar nosso estilo -que faz parte da nossa identidade- aos estilos narrativos das revistas científicas. É muito comum encontrar pesquisadores iniciantes escrevendo artigos com parágrafos intermináveis, compostos por orações justapostas, coordenadas e subordinadas, complementos diretos, indiretos e circunstanciais e, além disso, com muitos ponto e vírgula(;) para separar ideias, pintando com esses sinais -como se de uma tela se tratasse- suas obras primas.

A gramática, assim como o correto uso da pontuação, assegura uma comunicação clara das ideias, melhorando, por sua vez, a estrutura dos argumentos que se apresentam no artigo, ergo assegurando sua legibilidade e compreensão. Não devemos esquecer que um artigo tem um fim pedagógico e persuasivo.

A simplicidade costuma melhorar significativamente a qualidade expositiva das ideias

Com certeza, cada área do conhecimento é um mundo: não é o mesmo escrever para uma revista de literatura ou história (Artes e Humanidades), que para revistas de ciências «puras», como física ou matemática. Nas primeiras, vamos deparar-nos provavelmente com parágrafos grandiloquentes e com adornos linguísticos em um manuscrito que pode chegar a ter mais de 12 000 palavras, enquanto que, no segundo caso, é mais comum a redação concisa, que vai direto ao problema, sua solução e conclusões, e nos quais não abundam -por desnecessárias- as orações complexas com muitos complementos. Definitivamente, sujeito, verbo e predicado.

Quanto às Ciências Sociais, nosso estilo de redigir costuma ser um híbrido em extensão, estrutura (a mais comum IMRDC) e linguística, pois nossas ciências e disciplinas nos obrigam a introduzir o tema e justificá-lo, revisar o estado da questão, explicar os métodos, analisar os resultados e expor as conclusões e discussões. Tudo isto, mediante o uso de nossa língua, mas também pensando na possibilidade de que o manuscrito tenha, num futuro, tradução ao inglês, cuja redação é inclusive mais concreta.

Eis, a seguir, 5 chaves para melhorar sua redação científica:

  1. Evite os parágrafos excessivamente longos. Se um parágrafo tem mais de 7 linhas, o mais provável é que possa ser dividido em dois. Se isto não for possível, é porque apresenta demasiadas ideias.
  2. Um parágrafo por ideia. Em outro post da Escola de Autores tínhamos explicado três chaves para garantir não só suficiente densidade de conceitos entre os parágrafos, mas também a relação de ideias que deve haver entre eles.
  3. O ponto e vírgula. Este sinal de pontuação às vezes se converte no «curinga» de turno, quando, na verdade, ele é um dos que menos devemos utilizar. Segundo a RAE (Real Academia Espanhola), o ponto e vírgula tem apenas 4 usos.
  4. Evitar a redação «Frankenstein». Entendemos que muitas vezes um trabalho de redação é repartido entre várias pessoas, mas não há nada mais complicado do que manter uma mesma lógica quando um artigo se faz a 4, 6 e até 8 mãos. Se não pudermos evitá-lo, pelo menos devemos delegar a um dos autores a revisão e correção gramatical e estilística do texto.
  5. Ler, ler e reler. Quando escrevemos algo, não o costumamos ler com atenção, talvez por excesso de confiança ou mesmo por saturação. Não obstante, o trabalho de leitura de um texto depois de o escrever é tão ou mais importante do que a sua própria redação. Uma chave para fazê-lo com sucesso é revisá-lo só depois de algumas horas da sua redação.

Autor:Luis M Romero-Rodríguez – texto original em espanhol.

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