Escola de autores é um site da Comunicar,  Revista Científica de Educação e Comunicação, indexada nas principais bases de dados internacionais, que complementa seus blogues ativos em espanhol, português e inglês. Desenhado e escrito principalmente pelo Conselho de Editores da Comunicar, esta Escola de Autores pretende oferecer recursos para a publicação de artigos em revistas científicas de uma forma planejada e estratégica, assim como servir como espaço de reflexão sobre a gestão da informação científica para contribuir em publicações de primeiro nível.

 

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Escrever parágrafos. Três conselhos úteis

Autor: Tradução: Lilian Ribeiro

Um texto acadêmico é a exposição argumentada de dados e idéias de maneira lógica e ordenada, com uma intencionalidade normalmente expositiva, persuasiva e pedagógica. Ou seja, são as ideias que estruturam o texto e, por sua vez, são representadas pelos parágrafos que desenvolvem cada conceito através de um conjunto de frases onde é explicado, contextualizado, enfim, vai mais fundo em cada conceito. Um bom texto é caracterizado por conter boas idéias e dados e por apresentá-los adequadamente. Portanto, tudo que trabalhamos na qualidade da composição de nossos parágrafos redundará em benefícios na qualidade do texto. Neste post,  três conselhos simples são dados, mas com uma grande carga de significado para melhorar a qualidade dos parágrafos.

  1. Registrar em negrito os termos substanciais. Cada parágrafo representa uma ideia substancial no contexto do documento. Um truque para visualizar essas idéias é destacar em preto os termos “com peso”. De tal maneira que podemos apreciar em cada parágrafo a carga de significado que ela contém. Um parágrafo com muitas palavras em negrito indicaria uma alta densidade de conceitos importantes, o que pode significar que esse parágrafo tenha duas ou mais ideias, portanto, deve ser subdividido em dois ou mais parágrafos. Pelo contrário, se depois de indicar o texto em negrito, encontramos parágrafos que não têm palavras destacadas, estamos provavelmente diante de um parágrafo que dificilmente acrescenta nada de novo ao documento, por isso deve ser eliminado. Logicamente, antes de tornar o trabalho público, devemos eliminar as palavras em negrito.
  2. Verifique a conexão entre o primeiro parágrafo e o anterior. Os parágrafos representam idéias e essas idéias devem estar relacionadas entre si no desenvolvimento natural da leitura do parágrafo. É por isso que você precisa verificar se existe uma relação lógica entre o número de sucessões dos parágrafos. Se mesmo que haja uma relação que não seja completamente óbvia para o leitor, um truque é conectar a última sentença do parágrafo com a seguinte ou vice-versa, fazer a primeira sentença de um parágrafo conectar-se ao parágrafo anterior. Normalmente, o desenvolvimento de ideias vai do mais geral ao mais específico. 
  3. Estude o tamanho dos parágrafos. Continuamos insistindo que as idéias são representadas nos parágrafos, um parágrafo é uma ideia. O tamanho dos parágrafos é um verdadeiro reflexo da profundidade com que as idéias são desenvolvidas no texto. Portanto, recomenda-se que, para ter um texto equilibrado, todas as ideias sejam desenvolvidas com a mesma profundidade, portanto, ter parágrafos semelhantes em termos de tamanho é um reflexo verdadeiro de um texto equilibrado. Por outro lado, quando nos encontramos em parágrafos muito volumosos, podemos estar encontrando dois cenários, o primeiro seria aquele em que estamos desenvolvendo uma idéia em excesso e o outro em um parágrafo em que são apresentadas duas ou mais idéias diferentes, portanto o  texto deveria ser subdividido em dois ou mais parágrafos.
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A importância de “trazer à luz”, em vez de ocultá-los: os resultados anômalos ou inesperados.

Autor: Ángel Hernando Gómez – Tradução: Lilian Ribeiro

Quando formulamos hipóteses ou estabelecemos objetivos, é normal, da ótica do ser humano em geral e do pesquisador em particular, que esperamos atingir nossos objetivos ou confirmar as hipóteses que propomos. É claro que uma hipótese confirmada é melhor que uma que não está confirmada.

resultados anomalosEmbora na maioria dos projetos de pesquisa que propomos, confirmamos as hipóteses e / ou atingimos os objetivos, nem sempre tem que ser assim, e de fato não é, então a tentação de “forçar” (tentação  que se dirige tanto aos pesquisadores novos como aos não tão novos) a análise ou ocultar os resultados anômalos que aparecem – quando terminamos a análise de nossos resultados no final do trabalho de campo – é grande. Nunca podemos cair nessa tentação por pelo menos três razões, a primeira e simples é porque é antiética, a segunda porque estaríamos perdendo a verdade e a terceira é porque, em numerosas ocasiões, essas hipóteses não confirmadas podem ser mais enriquecedoras para a assunto que a simples confirmação do levantado. Se a hipótese foi confirmada, a conclusão é clara, uma vez que a questão de pesquisa foi respondida, mas se não foi confirmada, temos uma nova oportunidade para investigar, fazer novas perguntas ou reformular algumas daquelas que já havíamos feito. .

Ao longo de nossas investigações, às vezes encontramos resultados anômalos ou inesperados, estes nunca devem ser ocultados (pode ser uma sorte e nos deparamos com uma descoberta muito valiosa para a qual chegamos, sem procurá-la, acidentalmente!) uma vez que estamos abrindo caminho a novas propostas de pesquisa, novas linhas nas quais podemos projetar pesquisas para tentar responder ao que não esperávamos, que apareceram em nossos resultados. Esses resultados anômalos têm que ser trazidos à luz e temos que dar a eles a melhor explicação possível ou, simplesmente, dizer que os encontramos e, por enquanto, não podemos dar nenhuma explicação. Também pode acontecer que, se não mostrarmos esses resultados, o editor, que em muitos casos é ou também deve ser um bom pesquisador, será aquele que os trará à luz.

Devemos também aprender com o inesperado, o que a priori pode ser considerado como um fracasso ou uma fraqueza da nossa pesquisa não é assim, podemos considerá-lo uma força porque nos permite formular novas hipóteses ou propor novos objetivos de pesquisa (nós ou qualquer membro da comunidade acadêmica que trabalha ou investiga sobre o assunto) que, no final, o que eles farão é enriquecer a pesquisa no campo temático. Esta força só pode ser dada, obviamente, se em vez de escondê-los somos capazes de “trazer à luz” os resultados anormais ou inesperados que encontramos em nossas investigações.

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A imagem dos resultados também importa

Autora: Ana Pérez-Escoda – Tradução: Lilian Ribeiro

Como fazer bons gráficos e tabelas

Que vivemos em uma sociedade altamente mediada e profundamente marcada pela imagem não é novidade, Se havia alguma dúvida, as redes sociais surgiram como colossos da imagem, onde a hegemonia do visual não admite dúvidas. Os dados mais recentes do Relatório Anual do Hootsuit, 2018 Digital Yearbook,  revelam que dos 7.593 bilhões da população total, 3.196 bilhões são usuários de redes sociais, e 2.950 bilhões são usuários ativos de redes sociais por meio de smartphones.

Em fevereiro de 2018, o New York Times produziu um especial “Bem-vindo ao futuro pós-texto”, no qual vários jornalistas de prestígio: Farhad Manjoo, Nellie Bowles, Mike Isaac ou Claire Cain Miller, entre muitos outros analisaram o fenômeno de uma sociedade. on-line em que o texto escrito recua como meio de transmissão para dar lugar ao som e à imagem como elementos da comunicação universal.

Por que isso afeta os pesquisadores? Como os resultados acadêmicos não são apenas lidos no papel, nem na frente de um computador de mesa, as tendências de penetração dos smartphones entre os cidadãos, o uso crescente desses dispositivos para acessar conteúdo e a crescente conectividade mudaram também o caminho em que a ciência é consumida. Não é em vão quando falamos de publicações científicas e acadêmicas, já não falamos apenas de métricas tradicionais, mas também de métricas alternativas que são produzidas pela interação em redes.É por essa necessidade emergente e crescente que os pesquisadores e acadêmicos devem cuidar da maneira como publicam seus resultados, para tornar visível o seu trabalho; por isso será essencial caprichar ao mostrar seus resultados de pesquisa.Abaixo propomos três ferramentas gratuitas para a criação de excelentes gráficos, imagens, infográficos e imagens personalizadas para que os resultados da pesquisa sejam adaptados a uma sociedade 100% visual.

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          Aceder a EASEL.LY Aceder a VISME Aceder a CANVA

Também é importante que os gráficos da pesquisa sejam atraentes e sua visualização seja adequada ao meio digital, por isso propomos essas 3 ferramentas para o design de gráficos.

2

     Aceder  a Generador de gráficos Aceder a ChartGo Aceder a Creately

A Web 2.0 e sua ampla gama de possibilidades gratuitas disponibilizam ao pesquisador um repertório de opções com as quais pode-se fazer melhores tabelas, gráficos e infográficos que buscarão, após publicação, uma disseminação em redes de pesquisa de alto impacto e visibilidade

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A visibilidade dos artigos: presença de periódicos em bases de dados internacionais

Autora: rosagarciaruiz – Tradução: Lilian Ribeiro

A qualidade de um periódico depende de três fatores fundamentais: gestão editorial, impacto e visibilidade de suas publicações. As revistas científicas de maior prestígio em qualquer área do conhecimento trabalham constantemente para melhorar nesses três aspectos, além de outros critérios já mencionados no post anterior “Critérios de qualidade das publicações”, e de maneira muito especial para maximizar sua visibilidade, o que implica que a revista será posicionada nas melhores bases de dados e seus artigos serão visíveis para pesquisadores e autores em potencial em todo o mundo.

captura-de-pantalla-2019-01-03-a-las-13.19.43Para um autor, é essencial identificar os periódicos que estão localizados em bancos de dados indexados, arquivos de jornais seletivos, catálogos seletivos ou bibliotecas universitárias. Portanto, ao selecionar o periódico para o qual você deseja enviar um artigo, além de levar em consideração o conselho já publicado neste blog sobre como escolher uma publicação de qualidade, o autor deve verificar em quais bancos de dados esse periódico está localizado, pois apostar em uma revista visível supõe que nosso artigo será visível para os pesquisadores da área e evidentemente, a favor que seja mencionado em suas próximas publicações. Quando um autor decide que o Comunicar pode ser o periódico para enviar seu melhor manuscrito, ele pode conferir, na aba “Indexaciones” onde está localizado, e como consequência, verificar a capacidade da revista em disseminar no campo acadêmico e científico sua trabalho de investigação. Comunicar está presente em 650 bases de dados, agrupadas nas seguintes categorias:

  • Bases de dados internacionais seletivas
  • Plataformas de avaliação de periódicos
  • Diretórios seletivos
  • Hemerotecas seletivas
  • Portais especializados
  • Mecanismos de pesquisa de literatura científica de acesso aberto (open Access)
  • Catálogos de bibliotecas
  • Redes Sociais
  • Catálogos de bibliotecas universitárias

Como pode ser visto, existem diferentes bases de dados nos quais um periódico pode ser indexado e, nesse sentido, eles podem ser categorizados em ordem de relevância. Desta forma, podemos considerar como mais importantes e prestigiosas as bases de dados que indexam periódicos levando em consideração diferentes variáveis ​​relacionadas ao impacto da revista, motivo pelo qual recebem um índice de qualidade relativo dentro do conjunto de periódicos da revista.. Um exemplo claro desses bancos de dados é o Scopus ou o Web of Science. Outras bases de dados levam em conta o valor editorial da revista, como é o caso do Latindex, que estabelece uma série de critérios a serem cumpridos, ligados à qualidade editorial das revistas, e não ao impacto dos artigos publicados. Outros levam em consideração os critérios dos especialistas no campo científico ao qual a revista está vinculada.

As revistas científicas de prestígio, portanto, são reconhecidas pela sua localização nas bases de dados, o que supõe um esforço de atualização permanente para as equipes editoriais que, também, repercute na visibilidade de cada um dos artigos que publica. . Portanto, os autores devem dedicar tempo à procura dessas informações em cada revista para a qual desejam enviar seus artigos.

 

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Edição do manuscrito em inglês

Autora: Ana Pérez-Escoda – Tradução: Lilian Ribeiro

Um dos principais objetivos que todo pesquisador deve ter em mente ao publicar sua pesquisa é a visibilidade do mesmo. Será inútil ser excelente em contribuições acadêmicas e científicas se não formos capazes de alcançar o público certo. Num mundo globalizado, de comunicação instantânea, devemos aproveitar as sinergias que a sociedade da informação nos oferece:

Métricas alternativas que tornam o artigo visível em plataformas digitais.

Qualidade da publicação escolhida, garantindo um ótimo contexto inicial.

As ideias-chave, destacando o valor da pesquisa.

As redes sociais científicas, que focalizam eficientemente a atenção de colegas, doutorandos e equipe de pesquisa. Além de todos esses fatores que devem ser

levados em conta para a publicação de nossa pesquisa, há outro de vital importância: a edição do manuscrito em inglês.

 

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Foto: Pixabay – Fonte: Statista 

A importância da língua ou línguas em que publicamos marcará as possibilidades de leitores reais para a nossa pesquisa; quanto maior o número de potenciais leitores, maior a possibilidade de gerar um impacto significativo na comunidade científica. É neste caso que o número de milhões de falantes aproximados da língua ou línguas em que publicamos assume especial relevância.

Se nosso artigo for publicado em espanhol, estamos falando de um escopo probabilístico mas não real (já que nem todos os falantes de uma língua serão leitores potenciais de nossa pesquisa) de cerca de 420 milhões de pessoas. Se adicionarmos uma versão em inglês a esta versão, acrescentaremos uma população aproximada de 1.500 pessoas.

Portanto, em um ecossistema global e conectado, onde o conhecimento é gerado com uma vocação de alcance, quanto mais melhor. O aspecto linguístico, sem dúvida, resultará nessa intenção, oferecendo uma audiência potencial ao nosso artigo que nunca teríamos sonhado. Portanto, no valor de comunicar nosso artigo, vamos adicionar o valor de comunicar àqueles que são melhores, sempre buscando uma edição em inglês de nosso artigo.

É importante não deixar de mencionar  o essencial que resulta neste ponto garantir uma versão profissional e acadêmica que reforce a estratégia da dupla linguagem, contribuindo para um maior alcance de nossas pesquisas e nossa reputação como pesquisadores na área do conhecimento trabalhado. Negligenciar o processo de tradução seria condenar nossa reputação perante os leitores anglo-saxões. A limpeza, o rigor, a exigência e a urgência com que o manuscrito foi elaborado devem ser traduzidos da mesma forma que a versão em inglês, portanto, recorrer a um nativo que conhece nosso campo de pesquisa será obrigatório se quisermos manter qualidade de nossa publicação.

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Revisão simples ou pares cegos

Autor: Luis M Romero-Rodríguez – Tradução: Lilian Ribeiro

Pares cegos

O núcleo principal das revistas científicas está fundamentalmente no processo de revisão por pares. Por mais que uma publicação tenha um Conselho Científico de primeiro nível, editores de grande relevância dentro de uma comunidade científica ou a revista seja de uma renomada universidade ou centro de pesquisa, os pilares de seu caráter científico são justamente a qualidade de seus revisores. , que com suas opiniões de especialistas, avaliam e valorizam a pesquisa proposta. Na revisão por pares (o que não significa necessariamente que sejam dois ou múltiplos de dois, mas sim como sinônimos de “homólogos”), diferentes modalidades podem ser apresentadas:

Single-blind (simples): em que os autores não sabem a identidade dos revisores, mas os revisores sabem os autores.

Duplo-cego (pares cegos): Nenhuma das partes (autores e revisores) conhece a identidade do outro.

Open (aberta): Neste sistema sabe-se as identidades entre autores e revisores e é permitido que autores e revisores diáloguem no processo de revisão.

Collaborative (Colaborativo): Também chamado -erroneamente- “revisão blockchain,” é uma plataforma colaborativa (tipo de fórum) em que o manuscrito sob revisão é exposto e em que os autores e revisores podem interagir sem intermediários, sem saber a identidade do outro.

Third-Party (por terceiros): Algumas revistas muitas vezes solicitam que o manuscrito apresentado passe por  revisão por um agente externo, normalmente um serviço pago, de modo que, com o registo de alterações e autorização, possa ser publicado.

Pós-publicação (revisão posterior): Mais do que um processo de revisão (que é entendido como sendo antes da publicação), é um sistema no qual revistas ou outras plataformas permitem que especialistas  comentem o artigo publicado.

Cascading (em cascata): Acontece quando um manuscrito é rejeitado por uma revista, ou porque o tema não se encaixa ou porque não é de interesse para os seus leitores. Neste caso, a revista, com autorização prévia dos autores, envia  a outra revista, geralmente da mesma editora ou consorciada, juntamente com as revisões, para continuar o processo.

Embora a maioria das tipologias mencionadas não seja comum, especialmente em periódicos de Ciências Sociais, as duas primeiras (simples e dupla ocultação) são as que provavelmente encontraremos.

Revisão por pares simples cega

A revisão por pares simples cega é um sistema no qual os autores não conhecem a identidade dos revisores, mas os próprios revisores dos autores. Essa tipologia, embora não muito comum em periódicos de Ciências Sociais, se aplica em outros ramos do conhecimento. Por exemplo, a editora Nature – uma das mais prestigiosas do mundo – a usa como opção padrão. Este tipo de revisão não tem sido objeto de críticas, pois entende-se que ao afetar a anonimização dos autores, os revisores podem atuar com vieses – para melhor ou para pior – ou cometer práticas antiéticas. No entanto, também tem seus defensores, que citam entre suas vantagens:

  •  Maior capacidade de identificar, por parte dos revisores, conflitos de interesse (especialmente necessários em periódicos de medicina, farmácia ou economia, nos quais existem muitos exemplos de práticas de propaganda em favor de marcas).·
  • Possibilidade de acompanhar os trabalhos anteriores dos autores e identificar “fatiamento de salame” (prática antiética de dividir investigações em fases para publicar resultados parciais).·
  • Melhor capacidade de detectar o auto-plágio.

Double-blind peer review

Sem dúvida, essa modalidade é a opção mais frequente nas revistas de Ciências Sociais, como é o caso da Revista Comunicar. Conforme explicado, o sistema de pares em dupla ocultação  baseia-se no fato de que os autores não conhecem a identidade dos revisores, nem estes conhecem a identidade dos autores. Este sistema é baseado principalmente no anonimato como uma chave de segurança para as práticas de revisão ética.

No entanto, críticos dessa modalidade explicam que, atualmente, com repositórios abertos, redes sociais acadêmicas e científicas, Google Acadêmico, entre outros, o anonimato dos autores nunca pode ser garantido. Além disso, de acordo com um estudo de 2008 do Consórcio Publishing Research, citado pelo professor Lluis CodinaLluis Codina, 56% dos consultados eram a favor do sistema duplo-cego, enquanto 25% eram a favor do cego simples, o que deixa em evidência que é um sistema que os autores preferem, embora não seja o único tipo de revisão por pares existente ou que tenha demonstrado sua eficiência – veja exemplos como o Nature -.

 

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Revistas online, impressas… globais?

Autor: Ignacio-Aguaded – Tradução: Lola Lerma (Universidade do Minho/Portugal

Um debate que se tem vindo a diluir nestes últimos anos é o da controvérsia em torno do canal privilegiado ou exclusivo de divulgação da investigação científica. Até há duas décadas, as revistas online ou virtuais estavam desprestigiadas e muitas agências de avaliação científica nacionais não valorizavam os contributos destes canais ou consideravam-nos de segundo nível. Partiam do raciocínio, hoje inexplicável, de que aqueles meios de divulgação eram de inferior hierarquia, face à edição impressa que se mantivera inalterável desde a origem da conceção das revistas científicas e, mais ainda, no próprio ADN da publicação e do livro, na imprensa de Gutenberg.

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Hoje passamos quase para outro extremo. Não é fácil encontrar bibliotecários que afirmem que os seus centros não recebem revistas impressas se estas têm edições eletrónicas, como se ambas não fossem compatíveis e, mais ainda, complementares e necessárias. Muitos especialistas em biblioteconomia apostam no canal duplo para as revistas de prestígio e com história. É absurdo pensar que uma plataforma OJS com todas as suas virtualidades (que são imensas em versão 3.0) possa substituir completamente o fundo editorial impresso de uma revista com tradição e muitas páginas e histórias “impressas”.

Evidentemente não se trata de defender arqueologia passada, mas sim de situar o devido valor nos diferentes canais de divulgação científica. As revistas online têm vindo a alcançar uma potencialidade imensa devido às vantagens da Internet e das aplicações desenvolvidas para a sua gestão, tanto nos processos de revisão como de edição e difusão. Este facto não é incompatível com manter edições impressas com um longo historial de edição que expandem a sua cobertura e são fundos bibliotecários, alguns deles com imenso valor.

08-magazineO futuro da edição escrita ainda não está escrito. Alguns agoureiros da biblioteconomia já auguram o fim das revistas, quanto menos estamos a viver um esbatimento do papel dos cabeçalhos. Hoje já não se consultam “revistas” mas artigos soltos na “nuvem” através das suas palavras-chave. Será que estas macrobases não eliminaram o sentido unitário da publicação? Também as redes sociais científicas divulgam os trabalhos de forma isolada, esbatendo os seus cabeçalhos iniciais e adquirindo estas valor apenas em função do prestígio da sua citação.

É evidente que o mundo científico está a transformar-se a passos largos, como quase todo o orbe. Neste sentido, também a divulgação científica está a revolucionar todos os padrões e o próprio conceito da revista científica, que cada vez se parece menos com o clássico livro impresso. Este é um debate aberto e apaixonante… Entretanto defendamos o nosso futuro com o nosso passado e o nosso presente. Revistas impressas, revistas online, revistas globais…

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