Escola de autores é um site da Comunicar,  Revista Científica de Educação e Comunicação, indexada nas principais bases de dados internacionais, que complementa seus blogues ativos em espanhol, português e inglês. Desenhado e escrito principalmente pelo Conselho de Editores da Comunicar, esta Escola de Autores pretende oferecer recursos para a publicação de artigos em revistas científicas de uma forma planejada e estratégica, assim como servir como espaço de reflexão sobre a gestão da informação científica para contribuir em publicações de primeiro nível.

 

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Revisão simples ou pares cegos

Autor: Luis M Romero-Rodríguez – Tradução: Lilian Ribeiro

Pares cegos

O núcleo principal das revistas científicas está fundamentalmente no processo de revisão por pares. Por mais que uma publicação tenha um Conselho Científico de primeiro nível, editores de grande relevância dentro de uma comunidade científica ou a revista seja de uma renomada universidade ou centro de pesquisa, os pilares de seu caráter científico são justamente a qualidade de seus revisores. , que com suas opiniões de especialistas, avaliam e valorizam a pesquisa proposta. Na revisão por pares (o que não significa necessariamente que sejam dois ou múltiplos de dois, mas sim como sinônimos de “homólogos”), diferentes modalidades podem ser apresentadas:

Single-blind (simples): em que os autores não sabem a identidade dos revisores, mas os revisores sabem os autores.

Duplo-cego (pares cegos): Nenhuma das partes (autores e revisores) conhece a identidade do outro.

Open (aberta): Neste sistema sabe-se as identidades entre autores e revisores e é permitido que autores e revisores diáloguem no processo de revisão.

Collaborative (Colaborativo): Também chamado -erroneamente- “revisão blockchain,” é uma plataforma colaborativa (tipo de fórum) em que o manuscrito sob revisão é exposto e em que os autores e revisores podem interagir sem intermediários, sem saber a identidade do outro.

Third-Party (por terceiros): Algumas revistas muitas vezes solicitam que o manuscrito apresentado passe por  revisão por um agente externo, normalmente um serviço pago, de modo que, com o registo de alterações e autorização, possa ser publicado.

Pós-publicação (revisão posterior): Mais do que um processo de revisão (que é entendido como sendo antes da publicação), é um sistema no qual revistas ou outras plataformas permitem que especialistas  comentem o artigo publicado.

Cascading (em cascata): Acontece quando um manuscrito é rejeitado por uma revista, ou porque o tema não se encaixa ou porque não é de interesse para os seus leitores. Neste caso, a revista, com autorização prévia dos autores, envia  a outra revista, geralmente da mesma editora ou consorciada, juntamente com as revisões, para continuar o processo.

Embora a maioria das tipologias mencionadas não seja comum, especialmente em periódicos de Ciências Sociais, as duas primeiras (simples e dupla ocultação) são as que provavelmente encontraremos.

Revisão por pares simples cega

A revisão por pares simples cega é um sistema no qual os autores não conhecem a identidade dos revisores, mas os próprios revisores dos autores. Essa tipologia, embora não muito comum em periódicos de Ciências Sociais, se aplica em outros ramos do conhecimento. Por exemplo, a editora Nature – uma das mais prestigiosas do mundo – a usa como opção padrão. Este tipo de revisão não tem sido objeto de críticas, pois entende-se que ao afetar a anonimização dos autores, os revisores podem atuar com vieses – para melhor ou para pior – ou cometer práticas antiéticas. No entanto, também tem seus defensores, que citam entre suas vantagens:

  •  Maior capacidade de identificar, por parte dos revisores, conflitos de interesse (especialmente necessários em periódicos de medicina, farmácia ou economia, nos quais existem muitos exemplos de práticas de propaganda em favor de marcas).·
  • Possibilidade de acompanhar os trabalhos anteriores dos autores e identificar “fatiamento de salame” (prática antiética de dividir investigações em fases para publicar resultados parciais).·
  • Melhor capacidade de detectar o auto-plágio.

Double-blind peer review

Sem dúvida, essa modalidade é a opção mais frequente nas revistas de Ciências Sociais, como é o caso da Revista Comunicar. Conforme explicado, o sistema de pares em dupla ocultação  baseia-se no fato de que os autores não conhecem a identidade dos revisores, nem estes conhecem a identidade dos autores. Este sistema é baseado principalmente no anonimato como uma chave de segurança para as práticas de revisão ética.

No entanto, críticos dessa modalidade explicam que, atualmente, com repositórios abertos, redes sociais acadêmicas e científicas, Google Acadêmico, entre outros, o anonimato dos autores nunca pode ser garantido. Além disso, de acordo com um estudo de 2008 do Consórcio Publishing Research, citado pelo professor Lluis CodinaLluis Codina, 56% dos consultados eram a favor do sistema duplo-cego, enquanto 25% eram a favor do cego simples, o que deixa em evidência que é um sistema que os autores preferem, embora não seja o único tipo de revisão por pares existente ou que tenha demonstrado sua eficiência – veja exemplos como o Nature -.

 

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Revistas online, impressas… globais?

Autor: Ignacio-Aguaded – Tradução: Lola Lerma (Universidade do Minho/Portugal

Um debate que se tem vindo a diluir nestes últimos anos é o da controvérsia em torno do canal privilegiado ou exclusivo de divulgação da investigação científica. Até há duas décadas, as revistas online ou virtuais estavam desprestigiadas e muitas agências de avaliação científica nacionais não valorizavam os contributos destes canais ou consideravam-nos de segundo nível. Partiam do raciocínio, hoje inexplicável, de que aqueles meios de divulgação eram de inferior hierarquia, face à edição impressa que se mantivera inalterável desde a origem da conceção das revistas científicas e, mais ainda, no próprio ADN da publicação e do livro, na imprensa de Gutenberg.

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Hoje passamos quase para outro extremo. Não é fácil encontrar bibliotecários que afirmem que os seus centros não recebem revistas impressas se estas têm edições eletrónicas, como se ambas não fossem compatíveis e, mais ainda, complementares e necessárias. Muitos especialistas em biblioteconomia apostam no canal duplo para as revistas de prestígio e com história. É absurdo pensar que uma plataforma OJS com todas as suas virtualidades (que são imensas em versão 3.0) possa substituir completamente o fundo editorial impresso de uma revista com tradição e muitas páginas e histórias “impressas”.

Evidentemente não se trata de defender arqueologia passada, mas sim de situar o devido valor nos diferentes canais de divulgação científica. As revistas online têm vindo a alcançar uma potencialidade imensa devido às vantagens da Internet e das aplicações desenvolvidas para a sua gestão, tanto nos processos de revisão como de edição e difusão. Este facto não é incompatível com manter edições impressas com um longo historial de edição que expandem a sua cobertura e são fundos bibliotecários, alguns deles com imenso valor.

08-magazineO futuro da edição escrita ainda não está escrito. Alguns agoureiros da biblioteconomia já auguram o fim das revistas, quanto menos estamos a viver um esbatimento do papel dos cabeçalhos. Hoje já não se consultam “revistas” mas artigos soltos na “nuvem” através das suas palavras-chave. Será que estas macrobases não eliminaram o sentido unitário da publicação? Também as redes sociais científicas divulgam os trabalhos de forma isolada, esbatendo os seus cabeçalhos iniciais e adquirindo estas valor apenas em função do prestígio da sua citação.

É evidente que o mundo científico está a transformar-se a passos largos, como quase todo o orbe. Neste sentido, também a divulgação científica está a revolucionar todos os padrões e o próprio conceito da revista científica, que cada vez se parece menos com o clássico livro impresso. Este é um debate aberto e apaixonante… Entretanto defendamos o nosso futuro com o nosso passado e o nosso presente. Revistas impressas, revistas online, revistas globais…

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Creative  commons. Licenças para a divulgação aberta da ciência

Autora:   Tradução: Julieti-Sussi Oliveira

Ao falar de Creative Commons (CC) fazemos referência a umas licenças de caráter gratuito que oferecem a todo mundo, desde o criador individual a grandes empresas e também a instituições de modo simples e padronizado a possibilidade de outorgar certas autorizações ao público para compartilhar e usar seu trabalho. Deste modo, as licenças Creative Commons estão diretamente relacionadas com o movimento de acesso aberto, agilizando o acesso gratuito sem limitar os direitos de autor, ao mesmo tempo favorecendo o avanço da ciência.

No entanto, para adaptar-se às necessidades particulares de cada usuário ou licenciado são oferecidas seis licenças diferentes, ainda que todas concedem os direitos básicos: o direito a reproduzir e a distribuir a obra sem taxas.  Os termos destas licenças dependem de quatro condições:

creative_commons_condiciones

Deste modo, se estabelecem as seguintes combinações:

creative2 CC BY Reconhecimento:  Esta licença permite a outros usuários: distribuir, mesclar, ajustar e construir a partir da sua obra, incluído para fins comercias, sempre que seja reconhecida a autoria da criação original.

creative3 CC BY-AS Reconhecimento –  CompartilharIgual: Esta licença permite a outros: remixar, modificar e desenvolver sobre sua obra, inclusive para fins comerciais, sempre que atribuam os créditos e licenciem suas novas obras sob termos idênticos.

creative4 CC BY-ND Reconhecimento -SemObraDerivada:  Esta licença permite a redistribuição comercial e não comercial, sempre e quando a obra não seja modificada e seja transmitida em sua totalidade, reconhecendo sua autoria.

creative5 CC BY-NC Reconhecimento-NãoComercial: Esta licença permite a outros intercalar, ajustar e construir a partir da sua obra com fins não comercias, ainda que em suas novas criações devem reconhecer-lhe a sua autoria e não podem ser utilizadas de modo comercial, não devem estar sob uma licença com os mesmos   termos.

creative6 CC BY-NC-SA Reconhecimento-NãoComercial-CompartilharIgual: Esta licença permite a outros intercalar, ajustar e construir a partir da sua obra com fins não comerciais, sempre que lhe reconheçam a autoria e suas novas criações estejam sob uma licença com os mesmos termos.

creative7 CC BY-NC-ND Reconocimiento-NãoComercial-SemObraDerivada: Esta licença é a mais restritas das seis licenças principais, somente permite que outros possam baixar as obras e comparti-las com outras pessoas, sempre que reconheça-se sua autoria, mas não podem ser modificadas e nem usadas para fins comerciais.

Para fazer mais acessível a ciência sem suprimir direitos, publicações de primeiro nível que aderem ao acesso aberto, como é o caso de Comunicar, publica sob estas licenças, concretamente CC BY-NC, permitindo seu uso sem fins comerciais, favorecendo a reutilização e o auto arquivo dos seus artigos em bases de dados, repositórios, diretórios e sistemas de informação internacionais.

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A disseminação de projetos competitivos em artigos científicos

Autora: rosagarciaruiz, tradução: Mirelle S. Freitas

Todo pesquisador com currículo reconhecido no meio acadêmico deve participar em projetos de pesquisa competitivos. Este tipo de projeto mostra a trajetória profissional de um pesquisador extraordinário, que indica seu compromisso com a ciência de qualidade, seu papel relevante nas dinâmicas de trabalho de uma equipe de pesquisa de peso e sua capacidade para abordar novas soluções para problemas existentes na sua área de conhecimento. Implica também na capacidade de superar o primeiro filtro no nível de exigência da comunidade científica, em que a taxa de êxito é mínima, diante da grande quantidade de projetos que não conseguem alcançar os requisitos exigidos pelas convocatórias.

18 de julho

O segundo filtro a superar será conseguir publicar os resultados em uma revista de impacto, visto que o compromisso mais importante dos investigadores que conseguem um projeto competitivo é a transferência de resultados para a sociedade, e não há melhor forma de fazê-lo do que publicando artigos em revistas científicas de prestígio para divulgar seu trabalho e os êxitos alcançados.

Um projeto de pesquisa competitivo requer a colaboração de uma equipe de pesquisadores, como sinônimo de qualidade científica, que reúne grupos e redes de colaboração e que tenha sido capaz de cumprir os requisitos mais exigentes, sobressaindo frente a outros grupos, que competem para conseguir, habitualmente, recursos financeiros para desenvolver sua pesquisa nas melhores condições possíveis. Além do prestígio de ganhar um projeto em uma convocatória (edital) dessas características.

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As equipes de pesquisadores, una vez que alcançam os resultados esperados, devem preocupar-se em divulgar o resultados de mais destaque de sua pesquisa. Para isso, buscam o melhor meio de difusão, elaboram o melhor texto possível e se inserem na difícil tarefa de publicar nas revistas melhor posicionadas nos rankings internacionais de sua área de conhecimento. Obviamente, há de se manter o anonimato no processo de envio do artigo, para que a avaliação às cegas pelos pares possa ser feita (ler texto da Escola de Autores: O proceso de revisão por pares), de maneira que será necessário conhecer a normativa da revista (ver texto da Escola de Autores: Normas, normas, normas), para identificar em que espaço e em que momento do processo de edição, é possível fazer referência ao projeto que valida a pesquisa, garantindo o anonimato dos autores (ver texto da Escola de Autores: Assegurar um documento anônimo).

Considerando tudo o que foi discutido, é conveniente não esquecermos das revistas JCR de alto nível, valorizam de maneira positiva os textos avaliados com a referência de apoio de um projeto competitivo, que chega da mão de uma equipe de pesquisadores consolidados. Esses são avaliados positivamente se comparados a outros textos que não contam com o aval desse tipo de projeto, visto que as estatísticas indicam que textos que advêm de um grupo de pesquisa  que superou a mais alta taxa de recusa existente nessas convocatórias competitivas, têm  melhores resultados e em todos os casos, supõe um avanço substancial no estado da questão em qualquer área.

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CiteScore: percentil

Autor: Ignacio Aguaded – Tradução: Julieti Oliveira

CiteScore é uma métrica nova de Scopus que mede a relação de citações por artigos dentro da base de dados deste importante indexador mundial que contêm 25.300 revistas de todas as especialidades. Oferece, portanto, informação chave aos autores para poder comparar e avaliar revistas científicas em função do seu fator de impacto, denominado aqui CiteScore, que baseia-se na divisão do número de citações recebidas entre o número de artigos publicados. CiteScore calcula as referências de todos os documentos de um ano específico em todos os documentos publicados em anos anteriores. Esse número divide-se pelo número de documentos indexados em Scopus (www.scopus.com/sources) publicados nesse mesmo ano. É um índice de referências muito transparente porque oferece links tantos aos artigos publicados como as citações recebidas.

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CiteScore (https://bit.ly/2JV1tqu), juntamente com Scimago Journal Rank (https://bit.ly/2LCHZVA), são os dois índices de medida de referências da base de dados Scopus, utilizando parâmetros diferenciados que geram índices diferentes:  SJR (Scimago) y CiteScore (Scopus diretamente).

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Este portal oferece também a vantagem de atualizar mensalmente a informação da revista através de CiteScore Tracker com o que podemos ver a tendência (positiva ou negativa) dessa publicação para seu posterior índice anual.

CiteScore oferece ademais a informação em percentis, superando os clássicos quartis (Q1 , Q2…) que geram uma informação muito básica e com essa discriminação. Os percentis facilitam conhecer a porcentagem exata onde posiciona-se a publicação dentro da sua especialidade, assim o percentil 99 indica que a revista está no 1% melhor da base.

Finalmente também oferece o CiteScore Rank que permite visibilizar de modo mais fácil a revista classificada em posição frente as outras de sua especialidade.

Blog de CiteScore: https://bit.ly/2MzdoIb

Webinar de CiteStore: https://bit.ly/2KoSejl

CiteScore FAQs: https://bit.ly/2ICPnO1

 

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A nota biográfica

Autor: Raidell Avello Martínez – Tradução: Lilian Ribeiro

biodata

A maioria dos pesquisadores em algum momento de sua carreira tem que escrever uma “nota biográfica”. A nota biográfica é uma pequena “selfie” verbal que acompanha um capítulo de um livro, um artigo de revista ou, às vezes, uma apresentação em conferência. A nota biográfica dá ao leitor informações importantes sobre você, o autor. A maioria das notas biográficas é curta. Seu comprimento pode variar, mas na maioria das vezes tem um limite de 100 a 150 palavras. Portanto, não há muito espaço para se comunicar muito sobre você, nem há muito espaço para ser criativo.

Muitos pesquisadores de doutorado e de início de carreira lutam com notas biográficas: eles acreditam que não têm nada a dizer sobre si mesmos que seja particularmente notável. Mas muitas vezes, quando você olha para as anotações biográficas, por exemplo, no início de um livro editado que lista todos os colaboradores, são os pesquisadores da primeira fase que mais escrevem. Pesquisadores mais experientes escrevem menos sobre si mesmos. Isto é talvez porque eles não se sentem ansiosos, ou talvez eles pensem que muitas pessoas já sabem quem são. A nota biográfica tem múltiplos propósitos, entre os quais estão inclusos:

  1. Um pequeno serviço para o leitor. A nota biográfica ajuda o leitor a localizar a escrita, seja capítulo, artigo ou livro. Quando o leitor entende os pontos-chave sobre o escritor, ele tem uma ideia de onde vem o argumento vem no texto e talvez algumas das razões pelas quais o texto foi escrito. Ao descobrir as motivações e experiências do autor, o leitor pode, se desejar, ver o texto como algo que está localizado no tempo, espaço e uma agenda de pesquisa em andamento.
  2. uma maneira de adicionar “credibilidade informal” ao material publicado. Ou como um serviço para o editor. Os editores gostam de mostrar que os livros ou artigos que publicam são escritos por pessoas de boa reputação que fizeram pesquisas em uma universidade real ou em uma organização de pesquisa social, ou que são um pesquisador legítimo e independente. Uma das formas que os editores usam é a nota biográfica, como uma espécie de garantia, como forma de mostrar a procedência do texto.

É claro que pensar no leitor também indica que pode haver diferentes notas biográficas para diferentes leitores. As notas biológicas não só mudam com o tempo pelo desenvolvimento do próprio autor, elas também mudam porque diferentes leitores podem estar interessados em coisas diferentes e pode ser importante destacar algumas coisas e não outras. Embora todas as notas biográficas do mesmo autor possam começar da mesma maneira, com o nome, o que há e o que vem depois varia.

Embora não haja receita para escrever as notas biográficas, pelo menos acabarei com alguns elementos que não devem deixar de ser expressos neles:

  • nome, talvez qualificações, se relevante e / ou esperado
  • afiliação institucional atual, se houver, e qual é o seu trabalho (qual é o trabalho que você fez e o que está fazendo – pesquisa, ensino, administração, etc.)
  • sua pesquisa de doutorado e seu tópico, juntamente com o local em que foi feito, se você o fez, seus interesses de pesquisa mais amplos.
  • sua história profissional anterior, se for relevante.
  • uma publicação, se houver mais de uma, liste o melhor ou ambos. (Se esta é sua primeira publicação, não se sinta mal, todos nós temos que começar em algum lugar, e todos nós tivemos uma primeira publicação).
  • redes sociais

Agrupe essa informação em poucas frases e pronto. Além disso, como a nota biográfica é apenas manchetes, ela não precisa ser longa. Não precisa ocupar todas as palavras. Não é tudo que existe. Não é tudo o que você fez. É apenas um autorretrato tirado em um dia específico para fazer um trabalho específico.

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A importância de uma boa Discussão

Autor:   – Tradução: Lola Lerma Sanchis (UMinho/Portugal)

discussãoApesar de que uma das partes em que se estrutura um manuscrito científico é a Discussão, tal como reconhece o formato IMReD (Introdução, Método, Resultados e Discussão) para a organização do artigo científico entre os investigadores, muitas vezes encontramos que esta é omissa. Não falamos apenas de trabalhos de fim de licenciatura, de mestrado ou de outros relatórios de investigação, onde raramente surge, mas em muitos dos artigos de investigação submetidos à avaliação de revistas científicas.

Todos os artigos que apresentem os resultados de uma investigação têm que concluir numa seção de discussão de resultados e conclusões. Estas secções do artigo não devem ser confundidas, uma vez que respondem a três perguntas claras: o que foi encontrado?, para a secção de Resultados; que significado tem o que se encontrou?, quando nos referimos à secção de Discussão, e quais são os achados mais importantes do nosso trabalho? Não devemos confundir a discussão dos resultados com as conclusões, uma vez que respondem a duas perguntas diferentes. Também não a devemos confundir com os Resultados, que servem para apresentar os dados obtidos, ou seja, apresentar aquilo que encontramos da forma mais objetiva possível, sem a presença de qualquer opinião ou interpretação.

Para a elaboração da discussão utilizamos frases do tipo: “Os resultados obtidos confirmam… e estão na linha de…”, “Além disso, encontramos na nossa pesquisa que…são vários os trabalhos que mostraram previamente esta relação…”, “A nossa proposta apresenta semelhanças…”, “… o que coincide com o encontrado na maioria de trabalhos…”, “Além disso, como se verifica no nosso estudo e recomendam outros trabalhos…”, “Não pode dizer-se que estes resultados sejam inesperados, dado que há uma evidência empírica acumulada…” Frases como estas ou semelhantes nos permitem situar os resultados encontrados dentro do quadro teórico prévio.

Discussão2Ao realizar corretamente a secção da Discussão, o que fazemos é interpretar os resultados obtidos e as suas implicações. Confrontamos os nossos resultados com os que previamente foram apresentados na Introdução, onde estabelecemos o “estado da arte” da temática sobre a qual investigamos. Principalmente, o que fazemos nesta seção é comparar os resultados obtidos no nosso trabalho com os resultados obtidos em anteriores pesquisas. Isso nos permite situá-los no contexto dos antecedentes da investigação, ou seja, situar os nossos dados entre as ideias atuais sobre o tema pesquisado (que, obviamente, terá sido identificado no quadro teórico).

Ao realizar a Discussão temos de estabelecer com clareza, caso isso aconteça, quais os dados contradizem os nossos resultados ou quais as investigações prévias, apresentadas no quadro teórico, poderiam ser refutadas. Cabe indicar ainda se os nossos resultados coincidem com os encontrados anteriormente, e se complementam ou atualizam algumas daquelas investigações. E, certamente, se for o caso, quais são as novidades encontradas após a análise dos resultados obtidos. Portanto, na Discussão comparamos e contrastamos os nossos resultados com os objetivos e/ou as hipóteses que tínhamos proposto e com o modelo teórico que sustenta a nossa investigação, interpretamos os resultados e, se possível, fazemos generalizações.

Algumas publicações introduzem também neste ponto as Conclusões (na epígrafe “Discussão e conclusões”), aqui, é feita uma recapitulação dos principais resultados, que não se limita a um conjunto de frases, como se faz no resumo. Agora, realizar-se-á uma exposição clara sobre os contributos da nossa investigação. Não devemos confundir a discussão dos resultados com as conclusões, nem, como dissemos, repetir textualmente o que foi dito no resumo. Nas conclusões apresentaremos as principais contribuições da nossa pesquisa que dependem, obviamente, dos resultados e da análise realizados, tendo em conta tanto o quadro teórico como os objetivos a que nos tínhamos proposto. Neste ponto há um contributo fundamental do pesquisador, dado que as conclusões são obtidas a partir de algo mais que os simples dados registados. É preciso destacar os principais contributos da nossa pesquisa, e para isso usamos frases do tipo: “Os resultados deste estudo permitem extrair algumas conclusões face a uma possível intervenção. A primeira é constatar…”, “Assim, uma primeira conclusão que se pode extrair do estudo face à intervenção…”, “Tendo em consideração os resultados deste estudo pode-se concluir que…”, “Outro resultado deste estudo que vale a pena destacar…”, etc.

Terminamos esta secção (Discussão ou Discussão e Conclusões) com as limitações encontradas na realização da pesquisa e com novas propostas de investigação, isto é, com uma agenda de investigação pendente. Também, se for o caso, referem-se a fonte ou fontes de financiamento do estudo e/ou agradecimentos.

Como foi referido, trata-se de responder, de forma clara e precisa, à pergunta “que significado têm os resultados da investigação? Todos reconhecem a centralidade de responder a esta questão e de não menoscabar esta secção quando elaboramos o nosso artigo.

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