Plágio, antiplágio e autoplágio

Autor: Ignacio-Aguaded – tradução: Julieti Oliveira

Falar de plágio é quase mencionar um termo maldito, carregado de conotações negativas; significa antes de tudo denunciar que a atividade intelectual se movimenta por caminhos afastados da ética e do respeito aos direitos do autor.

Desde os princípios da história da Humanidade existiu a cópia e os violadores da propriedade alheia. O ladrão pode roubar objetos, mas também propriedade intelectual: ideias, conteúdos, fragmentos de textos literais, ou até mesmo obras completas.   plágioO plágio não está relacionado com a citação. Na obra intelectual todos somos herdeiros dos que nos antecederam e justamente a revisão da literatura”, o chamado “estado da arte” é o primeiro passo de qualquer pesquisa séria, pois é onde se situa o “estado da questão”.

Copiar é eticamente reprovável porque além de roubar propriedade intelectual a outro autor, provoca uma redundância na ciência, aumentando falsamente a produção cientifica, não oferece originalidade e novidade que são condições fundamentais para um trabalho cientifico de qualidade.

As novas ferramentas de busca cientificas revolucionarão os modos de acesso a informação. Há pouco tempo, o material de documentação estava centrado nas bibliotecas, algo que dificultava o acesso. No entanto, hoje em dia, com as facilidades que proporcionam Google e as demais ferramentas de acesso a informação científica, o nosso problema está em selecionar a informação e não em acessar a ela. Também facilitam a citação legitima das fontes, assim como a “cópia” e o “plágio” ilegítimo e ilegal.

Faz alguns anos que na Alemanha, se incentivou a pesquisa sobre teses doutorais plagiadas. Os resultados surpreenderam, uma vez que vários ministros do governo se viram obrigados a  deixar seus cargos, quando se soube que as obras com que conseguiram o título de doutor eram cópias de outras obras. Algo parecido também ocorreu em outros países como México e Espanha.  Estas pesquisas se centraram em políticos com altos cargos, mas existe a previsão que em um futuro se aplique a toda a produção.  É possível que tenhamos grandes surpresas…

Na atualidade não foi somente o acesso a informação que tornou-se universal, também existem ferramentas antiplágio eficientes, com capacidade de realizar buscas infinitas nos universos dos objetos digitais, que permitem não somente identificar os textos citados, mas também suas fontes originais. Existem aplicativos destinados especialmente a trabalhos acadêmicos, a artigos científicos, a literatura… No futuro poderemos contar com programas ainda mais desenvolvidos que serão capazes de ler em vários idiomas e principalmente que façam buscas semânticas capazes de captar ideias e conteúdo.

Todas as revistas científicas de prestigio tem por normas o uso desses aplicativos profissionais, desse modo antes de publicar um trabalho se revisa que o mesmo seja realmente original como especificada nas suas diretrizes e como se comprometem seus autores. Como podemos ver, o plágio não acontece somente ao copiar de outros autores, senão também (autoplágio) ao reproduzir textos que já estão publicados em outros meios digitais.  Para uma revista científica que procura publicar material que agrega valor e originalidade à ciência, o autoplágio é um mal endêmico inadmissível e que provocaria a rejeição do manuscrito.

“Comunicar” possui uma seção especifica com programas antiplágio, muitos deles gratuitos ou a um preço muito acessível que oferece aos autores a possibilidade de detectar o grau de originalidade dos seus trabalhos (https://goo.gl/pqHWKp). Entre todos eles, nossa editora faz uso de um programa profissional com licença da associação norte americana CrossRef, chamado CrossCheck que com um potente motor de buscas revisa a literatura científica internacional.

Em resumo, a ciência deve ser original, inovadora e impactante, já o plágio caminha em sentido contrário, contra os direitos intelectuais das pessoas. O número 48 de “Comunicar” que tem como título “Ética e o plágio na comunicação cientifica” (https://goo.gl/bMNi7t), pode ser um manual para aprofundar esses temas tão interessantes. Recomendado!

 

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Sobre Lilian Ribeiro

Lilian Vieira da Rocha Ribeiro (Universidade de Huelva/Espanha) Doutoranda em Comunicação; Mestra em Linguística Aplicada (Univ. de Brasília-Brasil); Licenciada em Letras; Coordenadora do blog da Coedição em português da Revista Comunicar e da equipe de tradução espanhol-português da Escola de Autores.
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