A importância de uma boa Discussão

Autor:   – Tradução: Lola Lerma Sanchis (UMinho/Portugal)

discussãoApesar de que uma das partes em que se estrutura um manuscrito científico é a Discussão, tal como reconhece o formato IMReD (Introdução, Método, Resultados e Discussão) para a organização do artigo científico entre os investigadores, muitas vezes encontramos que esta é omissa. Não falamos apenas de trabalhos de fim de licenciatura, de mestrado ou de outros relatórios de investigação, onde raramente surge, mas em muitos dos artigos de investigação submetidos à avaliação de revistas científicas.

Todos os artigos que apresentem os resultados de uma investigação têm que concluir numa seção de discussão de resultados e conclusões. Estas secções do artigo não devem ser confundidas, uma vez que respondem a três perguntas claras: o que foi encontrado?, para a secção de Resultados; que significado tem o que se encontrou?, quando nos referimos à secção de Discussão, e quais são os achados mais importantes do nosso trabalho? Não devemos confundir a discussão dos resultados com as conclusões, uma vez que respondem a duas perguntas diferentes. Também não a devemos confundir com os Resultados, que servem para apresentar os dados obtidos, ou seja, apresentar aquilo que encontramos da forma mais objetiva possível, sem a presença de qualquer opinião ou interpretação.

Para a elaboração da discussão utilizamos frases do tipo: “Os resultados obtidos confirmam… e estão na linha de…”, “Além disso, encontramos na nossa pesquisa que…são vários os trabalhos que mostraram previamente esta relação…”, “A nossa proposta apresenta semelhanças…”, “… o que coincide com o encontrado na maioria de trabalhos…”, “Além disso, como se verifica no nosso estudo e recomendam outros trabalhos…”, “Não pode dizer-se que estes resultados sejam inesperados, dado que há uma evidência empírica acumulada…” Frases como estas ou semelhantes nos permitem situar os resultados encontrados dentro do quadro teórico prévio.

Discussão2Ao realizar corretamente a secção da Discussão, o que fazemos é interpretar os resultados obtidos e as suas implicações. Confrontamos os nossos resultados com os que previamente foram apresentados na Introdução, onde estabelecemos o “estado da arte” da temática sobre a qual investigamos. Principalmente, o que fazemos nesta seção é comparar os resultados obtidos no nosso trabalho com os resultados obtidos em anteriores pesquisas. Isso nos permite situá-los no contexto dos antecedentes da investigação, ou seja, situar os nossos dados entre as ideias atuais sobre o tema pesquisado (que, obviamente, terá sido identificado no quadro teórico).

Ao realizar a Discussão temos de estabelecer com clareza, caso isso aconteça, quais os dados contradizem os nossos resultados ou quais as investigações prévias, apresentadas no quadro teórico, poderiam ser refutadas. Cabe indicar ainda se os nossos resultados coincidem com os encontrados anteriormente, e se complementam ou atualizam algumas daquelas investigações. E, certamente, se for o caso, quais são as novidades encontradas após a análise dos resultados obtidos. Portanto, na Discussão comparamos e contrastamos os nossos resultados com os objetivos e/ou as hipóteses que tínhamos proposto e com o modelo teórico que sustenta a nossa investigação, interpretamos os resultados e, se possível, fazemos generalizações.

Algumas publicações introduzem também neste ponto as Conclusões (na epígrafe “Discussão e conclusões”), aqui, é feita uma recapitulação dos principais resultados, que não se limita a um conjunto de frases, como se faz no resumo. Agora, realizar-se-á uma exposição clara sobre os contributos da nossa investigação. Não devemos confundir a discussão dos resultados com as conclusões, nem, como dissemos, repetir textualmente o que foi dito no resumo. Nas conclusões apresentaremos as principais contribuições da nossa pesquisa que dependem, obviamente, dos resultados e da análise realizados, tendo em conta tanto o quadro teórico como os objetivos a que nos tínhamos proposto. Neste ponto há um contributo fundamental do pesquisador, dado que as conclusões são obtidas a partir de algo mais que os simples dados registados. É preciso destacar os principais contributos da nossa pesquisa, e para isso usamos frases do tipo: “Os resultados deste estudo permitem extrair algumas conclusões face a uma possível intervenção. A primeira é constatar…”, “Assim, uma primeira conclusão que se pode extrair do estudo face à intervenção…”, “Tendo em consideração os resultados deste estudo pode-se concluir que…”, “Outro resultado deste estudo que vale a pena destacar…”, etc.

Terminamos esta secção (Discussão ou Discussão e Conclusões) com as limitações encontradas na realização da pesquisa e com novas propostas de investigação, isto é, com uma agenda de investigação pendente. Também, se for o caso, referem-se a fonte ou fontes de financiamento do estudo e/ou agradecimentos.

Como foi referido, trata-se de responder, de forma clara e precisa, à pergunta “que significado têm os resultados da investigação? Todos reconhecem a centralidade de responder a esta questão e de não menoscabar esta secção quando elaboramos o nosso artigo.

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Sobre Lilian Ribeiro

Lilian Vieira da Rocha Ribeiro (Universidade de Huelva/Espanha) Doutora em Comunicação (Educomunicação & Media literacy); Mestra em Linguística Aplicada (Univ. de Brasília-Brasil); Licenciada em Letras (Faculdade Castelo Branco); Coordenadora da equipe de tradução espanhol-português da Escola de Autores da Revista Comunicar.
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